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samadhi

sct.: fixar, agarrar; jap.: zanmai

Estado de concentração total do espírito em si, sem dualidade entre o sujeito e o objecto.

samsara

sc. Ciclo das existências; jap.: shoji rinne

O mundo dos fenómenos, a cadeia das existências.

samu

Trabalho da vida quotidiana com a concentração de zazen num espírito mushotoku e de fuse para a sangha.

Sandokai

Harmonia entre a diferença e a igualdade

Poema composto por Mestre Sekito Kisen para exprimir o samadhi que transcende todas as dualidades. Muitas vezes recitado nos templos zen.

sangha

sct.: comunidade

O conjunto dos monges que praticam a Via com o mestre.

sanpai

E não sampai; jap.: san: três; pai: prosternação

Sequência de três prosternações em frente de Buda no abandono total do corpo e do espírito.

sanran

jap.: san: dispersado; ran: ser na confusão

Estado de espírito excitado, errante, pensativo.

sanzen

No zen Soto, sinónimo de zazen. No zen Rinzai: conversação do mestre com o seu discípulo ou aquele que expõe a sua compreensão dos koans.

Sariputra

Discípulo de Buda famoso pela sua sabedoria e do seu saber. É dentro de variados sutras, o interlocutor principal de Buda. É Sharishi do Hannya Shingyo.

satori

jap.: iluminação

Experiência do despertar. O regresso da pessoa à sua verdadeira natureza. Fulgurante compreensão. É a condição normal do corpo e do espírito. No zen Soto, não se pesquisa o satori. Zazen mesmo é satori. No Shobogenzo, Dogen comenta «Os oito satori do grande homem» - o Sutra do testamento de Buda: 1.- Pouco desejar (shojuku). 2.- Compreender o suficiente (chisoku). 3.- A alegria tranquila (onri). 4.- O esforço (shojin). 5.- A não ilusão (fumonen). 6.- O samadhi da prática de zazen (zenjo). 7.- A sabedoria produzida por zazen (chiei). 8.- A não-discussão (fukeron).

Sawaki, Kodo

1880-1965

Mestre de Taisen Deshimaru que veio trazer um novo sopro ao zen saindo dos templos esclerosados pelo formalismo. Ensinou a prática e shikantaza durante várias sesshin em todo o Japão. Chamaram-lhe «Kodo sem morada» por causa da sua recusa em se instalar num templo.

sayonara

jap.: adeus

Última refeição duma sesshin.

Seigen Gyoshi

Ch’ing yüan Hsing ssu, 660-740

Discípulo de Eno e mestre de Sekito, está na origem da linha que dará mais tarde a escola Soto.

Seikyuji 

Templo da antiga pureza

Templo zen da Morejona situado a 50 km de Sevilha, fundado por Raphaël Doko Triet. É também o nome do pequeno templo de Mestre Deshimaru no Japão.

seiza

Posição sentada sobre os calcanhares, joelhos no chão, ligeiramente afastados.

Sekito Kisen

Shih-t’ou Hsi-ch’ien, 700-790

Discípulo de Seigen e mestre de Yakusan. Autor do Sandokai e do poema Canto da cabana com tecto de palha. O seu corpo, mumificado naturalmente na postura de zazen, é conservado em Sojiji.

sensei

jap.: nascido antes

Nome respeitoso dado aos professores.

sesshin

jap.: setsu; tocar; shin: espírito

Período de um a vários dias de prática intensiva de zazen.

shi

jap.: cessar, parar; sct.: samatha

Estado de concentração que associado à observação, kan, dá uma atitude correcta ao espírito durante o zazen.

Shiguseigan

Os quatros votos do bodhisattva, cantados todos os dias nos dojos. «Por mais numerosos que sejam os seres, eu faço o voto de os salvar a todos. Por mais numerosas que sejam as paixões, eu faço o voto de as vencer a todas. Por mais numerosos que sejam os dharma, eu faço o voto de alcançá-los a todos. Por mais perfeita que seja a Via do Buda, eu faço o voto de a realizar.»

shiho

Cerimónia de transmissão do Dharma.

shikantaza

jap.: shikan: sem nada; ta: encontrar; za: estar sentado

Só sentar-se. Sentar-se concentrado na postura de zazen, corpo e espírito abandonados sem a ajuda de qualquer outra técnica de concentração (por exemplo, resolver um koan, numerar as respirações).

shiki (1)

sct.: rupa

O corpo, os fenómenos de ordem física. É o primeiro dos cinco skanda.

shiki (2)

sct.: vijnana

A consciência dualista que se coloca sempre como sujeito dum objecto. É o último dos cinco skanda.

shin

jap.: coração, espírito, consciência; sct.: citta

1.- O espírito do homem, a consciência, o corpo-espírito. 2.- A realidade absoluta, a verdadeira natureza. 3.- A fé. Shin é o radical de várias expressões: bodaishin: o espírito do despertar; hotsubodaishin: produzir o espírito do despertar; zanshin: o espírito que fica vigilante; hoshin: o espírito do principiante; heijoshin: o espírito vulgar. No Tenzo kyokun, Dogen fala dos três espíritos do responsável: kishin: o espírito fresco, alegre; roshin, o espírito benevolente dos pais; daishin: o espírito largo.

shin jin datsu raku

O corpo e o espírito abandonados

Foi ouvindo estas palavras do seu Mestre Nyojo repreendendo um monje adormecido, que Dogen obteve o despertar.

shingi

jap.: regra

Regras que regem a vida quotidiana nos mosteiros zen. Dogen, Keisan e outros mestres escreveram o seu próprio livro de shingi.

 

Shinjinmei

Compilação sobre a fé no espírito

O mais antigo poema do zen, atribuído a Mestre Sosan. Primeiro texto que funde o taoismo e o budismo Mahayana. É aí que a palavra hishiryo aparece pela primeira vez. O primeiro dos 73 versetes é o mais conhecido: «Penetrar na Via não é difícil, basta não amar nem odiar, não escolher nem rejeitar».

Shobogenzo

Tesouro do olho do verdadeiro Dharma

Obra monumental de 95 capítulos de Mestre Dogen. Trata-se de uma compilação de teisho e de diversos escritos dos últimos vinte anos da sua vida e de acrescentos feitos por Ejo depois da morte do mestre. Uma das maiores obras do zen e da literatura japonesa que aborda todos os grandes temas da prática do zen e da filosofia budista. Entre os capítulos mais conhecidos: Genjokoan, Zazenshin, Bendowa.

Shodoka

Canto do imediato satori

Canto de 78 poemas escritos por Yoka Daishi para exprimir que a Via é aqui e agora.

sho

1.- Vida ou também nascimento. 2.- Natureza. 3.- Iluminação.

shoji

Vida e morte. Ver samsara.

shoko

Incenso em pó que se oferece a Buda.

shravaka

sct.: auditor

Discípulos aspirantes à iluminação pessoal pela audição do Dharma e sem qualquer resto de apego terrestre. Correspondente ao estado de arhat.

shu sho ichi nyo

jap.: shu(gyo): a prática; sho: satori; ichi nyo: não separado

Zazen e satori são unidade. Traduz-se também assim: a prática e o satori são unidade. Princípio fundamental do zen de Dogen que significa que não se pratica zazen para obter o satori mas que zazen, ele mesmo, é a prática-realização.

shukke

jap.: fora da casa

Designação corrente do monge zen por oposição ao laico - o zaike que «mora no lar». Ver unsui.

shusso

jap.: monge do primeiro assento

No Japão, designa o primeiro discípulo do mestre de um templo e que deve ser um exemplo pelo seu comportamento. Na Europa designa o responsável da boa ordem e da concentração dentro do dojo.

skandha

sct.: grupo; jap.: un

Palavra designando os cinco agregados (panca skandha, go un) que compõem uma personalidade: 1.- A corporeidade, os fenómenos físicos (shiki). 2.- As sensações, agradáveis, desagradáveis ou neutrais (ju). 3.- As percepções, sentimentos ou conceitos que discernem o que experimentamos (so). 4.- Os factores mentais que constroem a visão kármica da pessoa, as construções psíquicas (gyo). 5.- A consciência dualista que se coloca sempre como sujeito de um objecto (shiki, ideograma diferente do primeiro). A natureza dolorosa e impermanente dos cinco skandha é um dos temas centrais do budismo.

sodo

Templo formador. Eiheiji e Sojiji são os dois principais sodo do zen Soto.

Sojiji

Um dos dois principais templos do zen Soto, com Eiheiji. Fundado por Keizan em 1321, perto de Yokohama, a sul de Tokyo.

Sosan

Seng Tsan, ?-606

Terceiro patriarca chinês, discípulo de Eka e mestre de Doshin. Curado da lepra pelo seu mestre, escreveu o Shinjinmei e morreu na postura de kin hin.

Soto

Mais antiga e importante escola zen formalmente constituída no século IX por Sozan (so) e Tozan (to). Introduzida no Japão por Mestre Dogen. O zen Soto privilegia o mokusho zen e shikantaza. No Japão o zen Soto é dirigido administrativamente pela Sotoshu Shumucho.

sumi e

jap.: sumi: tinta preta em baton; e: pintura

Arte de pintura de tinta preta sobre papel branco.

sutra

sct.: fio condutor; jap.: kyo

Os sermões de Buda. Textos em prosa introduzidos pelas palavras «Assim eu entendi». Segundo a tradição, durante o primeiro concílio organizado um ano depois da morte do Buda, Ananda reconstituiu de cor todos os ensinamentos que tinha ouvido. Os sutras mahayanistas, apesar de serem redigidos no início da nossa era, em sânscrito, chegaram-nos na versão chinesa ou tibetana.

Sutra do estrado

Obra de Eno, o único texto chinês que a seguir recebeu o título de sutra, onde pela primeira vez aparece a expressão i shin den shin.

Sutra de suprema sabedoria

sct.: Prajnaparamitasutra

Conjunto duma quarentena de sutras mahayanistas, todos redigidos no início da nossa era, que trata da realização da sabedoria (prajna) e desenvolve a noção de vacuidade. Os comentários que dele fez Nagarjuna resumem a filosofia do Mahayana.

Sutra do ensinamento de Vimalakirti

Importante sutra mahayanista que põe em cena o rico mercador e muito sábio Vimalakirti e os discípulos de Buda. Este sutra insiste sobretudo sobre a igualdade de valor entre a vocação laica e a vocação monástica.

Sutra do coração

jap.: Maka hannya haramita shingyo

O mais breve e o mais popular dos sutras, cantado todos os dias nos dojos, depois do zazen. Ver Hannya Shingyo.

Sutra do diamante

jap.: Kongo Kyo

Parte autónoma do Prajnaparamitasutra. Eno, ainda criança, despertou quando ouviu um monge recitar a famosa frase: «Quando o espírito não repousa sobre nada, o verdadeiro espírito aparece.»

Sutra do lótus

Sermão que Buda pronunciou sobre o Picão do Abutre. Um dos mais antigos sutras do Mahayana que compendia as ideias essenciais: a natureza transcendental de Buda e a possibilidade de salvação para cada um. Compõe várias parábolas, como a da casa que arde. O seu capítulo 25 forma o Sutra de Kannon.

Sutra Lankavatara

Sutra mahayanista que insiste particularmente sobre a iluminação que libera de toda a dualidade e de toda a discriminação. Este sutra exerceu uma grande influência sobre o zen.

Suzuki Daisetz

1870-1966

Erudito budista que expandiu o zen no Ocidente. Autor de 100 obras, entre as quais os Ensaios sobre o budismo.

Suzuki Shunryu

1905-1971

Mestre Soto que transmitiu a prática de zazen nos Estados Unidos até ao fim dos anos cinquenta e que criou o Centro Zen de São Francisco. Autor de Espírito zen, espírito novo.